Depois de um sorvete levemente derretido de abacaxi... o que resta para essa quente fim de noite?! Inevitável o pensamento... ''há uma semana atrás eu...'' ... o que me ''consola'' é saber que não sou só eu que tenho esse hábito de relembrar os acontecimentos, visto que esse sempre é um bom motivo para se manter uma conversa...
Te lembra disso? Te lembra daquilo? Te lembra daquela vez que...? Esse foi um dos nossos assuntos... impossível não lembrar, não comentar, não sentir saudades... e ele disse... que saudades daquele tempo!!! Deus queira que essa minha saudade não seja solitária e em vão...
Bom como comentei sobre a semana passada... vamos começar do começo... à princípio antes de voltar muito no tempo... vamos fazer uma retrospectiva 2010!
2010 pra mim não foi um ano tão marcante assim... o início não foi tão bom e o final com uma pequena surpresinha... que confesso, levantou meu astral, mas na realidade... não foi tão significativo assim... Bom, quando penso no ano de 2010 me vem dois fatos na cabeça... primeiro, o falecimento da minha avó, segundo, uma certa ligação...
A minha avó estava com alguns problemas de saúde, eu acostumada já com alguns prolbemas que ela apresentava devido à idade, não imaginei que desta vez seria tão sério... lembro-me do dia em que levaram ela pro hospital, ela estava tão bem... (o problema em escrever, é que quando lembro, é como eu revivesse tudo, como disse outra vez... e agora, sinto-me como se tivesse sido transportada para aquele exato momento... saudade fica forte... lágrimas caem)... ela estava deitada na cama dela, me aproximei e dei tchau... mas um tchau como se ele fosse ali e já fosse voltar... ela me olhou e deu tchau... meu Deus... se eu soubesse o que viria pela frente... que vontade de voltar no tempo e dar um beijo e um abraço apertado nela e dizer o quanto ela era importante na minha vida...
Ela passou dias a mais no hospital... foi piorando... foi constatado que ela teve três isquemias... às vezes ela não reconhecia ninguém, não falava nada com nada... era triste... triste ver a pessoa que te criou, esteve contigo a vida inteira... agora perde as forças e a noção das coisas a cada dia que passa...
Entre janeiro e fevereiro foi assim.... nos revezávamos para ficar no hospital, meu pai ficava bem mais tempo por lá, porque minha avó queria ele sempre por perto. Foi um período extremamente cansativo para todos nós, com toda certeza para meus pais...
O engraçado são coisas que observamos nessa vida.... e levamos pra frente ou não, como ensinamentos... ou conforme a criação que tivemos a gente percebe... ou nem nota... isso depende de cada um... mas... em coisas que são interessantes...
Entre todas as pessoas que tinham pela volta... claro que, cada um com sua peculiaridade... tinham casos ali, que eram doenças graves, mas no caso, em relação a debilidade... minha avó estava nas piores condições... e mesmo assim, estávamos sempre bem dispostos, tentando fazer tudo do melhor jeito pra ela e pra nós mesmos, na maneira que nos revezávamos... enfim, não ficávamos reclamando, nem murmurando... enquanto outros pacientes, se achavam no direito de reclamar da comida, do ar-condicionado, disso, daquilo... Tudo bem que isso não vem ao caso, quem sou eu pra falar desses pacientes, mas essas situações fazem a gente pensar...
Observei isso também quando fiz estágio em nutrição clínica no Hospital Universitário.... os pacientes que menos reclamam de coisas pequenas são aqueles que se encontram sempre nas situações mais graves...
Bom... depois de alguns dias no hospital, minha avó voltou para casa... lembro que falei pra ela que quando ela voltasse faríamos uma festa pra ela de aniversário... ela disse que não precisava... na verdade, no dia do aniversário dela, ela ainda estava no hospital... fiquei devendo a festa... o pior é que depois quando ela estav aqui em casa, ela tinha muitas dores, já não tinha forças, não levantava... e assim foi piorando...
Foi num domingo de manhã quando o pai foi dar café pra ela que não sei direito o que aconteceu... acho que ela estava colocando sangue pela boca... eu não sei se foi isso, a mãe e minha irmã estavam na volta... em seguida o pai chamou uma ambulância... vi quando disseram que a pressão dela tinha caído à zero... que era grave... levaram ela...
Era um domingo de sol tão lindo... uma tranquilidade estranha e superficial pairava sobre a casa... de tardezinha o pai e a mãe chegaram... à noite meu tio chegou de Porto Alegre... pela manhã ligaram do hospital avisando que minha avó tinha tido uma parada cardíaca... eu queria acreditar que tudo iria ficar bem... mas era como se a certeza já tivesse estampada pra todos... não tinha volta...
Logo depois meu pai e meu tio foram ao hospital... enxergo direitinho minha mãe no telefone... - Adriana, tua avó faleceu.
Ela ligou pra minha outra irmã (de criação)... lembro que ela perguntou se minha avó estava bem...
Fomos ao hospital e ainda vi ela... quando vestiram... essa cena ficou dias na minha cabeça... mas acho que ela não gostaria que eu ficasse me lembrando disso... acho que não é bom lembrar nada desse dia... mas lembro dela, ali deitada, como se estivesse dormindo, como se fosse acordar a qualquer momento, parecia até que ela sorria, que apenas dormia tranquilamente... que vontade que isso fosse verdade...
É estranho lidar com essas situações... acho que não me conheço muito bem nesse aspecto... acho que entro em um estado de anulação dos fatos, congelo a situação, algo do tipo, sei lá... porque agora enquanto escrevo... me caem as lágrimas e uma dor aperta o coração... me sentirei sempre assim... sempre que lembrar, sempre que a saudade bater... isso nunca vai passar...
A pior dor da minha vida... a pior sensação, o pior momento... na verdade não sei se foram... mas... foi muito ruím... (eu não sei porque resolvi escrever todas essas coisas hoje, cada vez que escrevo choro mais)... o momento em que chegamos em casa... e ela não estava lá... o quarto vazio... lembrar que antes ela estava ali... ali que ela dormia, acordava, passava parte do tempo, ali onde ela outrora costumava fazer crochê, ver novela, escutar música, ali onde ela permanecia sentada na cama, onde eu ia e conversava com ela, ali onde ela olhava pela janela e me abanava quando eu saía e me esperava ansiosa pela minha chegada... ali... ali... era só um lugar com uma cama vazia agora... e ela não estava ali... nem no hospital pra pelo menos eu ir vê-la e dar-lhe um abraço, ver seu rosto, ouvir sua voz...
Só me restou ir me deitar abraçada em uma das almofadas de crochê, das tantas que ela fez... apesar da dor, da saudade, da tristeza... que sei que nos acompanharão pelo resto de nossas vidas... agradeço à Deus pela maneira como as coisas aconteceram...
Meu grande medo é perder as pessoas que amo, e a forma como as coisas aconteceram parece que foi uma preparação... que também serviu pra unir todos nós, apesar disso, daria tudo pra que pudesse ver ela de novo, ou se soubesse antes teria passado mais tempo com ela, dito mais coisas, enfim....
E foi no dia 8 de março, dia internacional da mulher... que perdemos essa mulher guerreira e batalhadora, minha grande heroína, que fez de tudo para que seu filho (meu pai) vencesse na vida... minha mãe de coração, que me criou eu com amor incondicional... minha querida e amada avó que pra sempre vou amar...

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